terça-feira, 24 de março de 2009

Será?

Quero falar de escolhas, e das minhas escolhas.
Quero saber dos caminhos e dos abismos que me levarão até o final.
Quero observar e cuidar de cada detalhe para não alterar o meu tão esperado resultado.

Tenho medo de saber que existem infinitas possibilidades. A complexidade delas é tão grande, que fica difícil de acreditar que se eu escolher qualquer uma delas chegarei num mesmo resultado, seguirei o mesmo rumo, inevitável e absoluto.
E é por isso que as pessoas sempre duvidaram do destino e acreditaram no acaso.

Já sei que os atos de hoje refletirão no dia de amanhã, mas será que eu seria a mesma pessoa se não tivesse usado os mesmos caminhos que me trouxeram até aqui?
Será que se eu tivesse vivido de outra forma eu seria alguém melhor, ou até mesmo pior?
Será que mesmo assim ainda seria eu?

O pior de tudo é saber que nada pode ser previsível. Muitas vezes só fui perceber que o que parecia certo, não era certo, quando o resultado não me agradou.
E voltar atrás não se pode ainda.

Será que a melhor forma de reduzir as probabilidades de erro é pensar bem antes de agir? Isso não seria falta de espontaneidade? Não é melhor vivermos intensamente sem pensarmos no dia de amanhã?

Pelo menos foi isso que sempre me ensinaram e me garantiram que é a melhor forma de chegar à felicidade.

No fim, de tanto refletir eu cheguei à conclusão que se eu tivesse feito tudo diferente, ainda sim seria eu mesma. Está na minha essência, eu sou assim e não adianta ninguém querer mudar.
De tanto repetir o mesmo erro pude perceber que meus meios já não me servem mais.
Já estava cansada mesmo de olhar sempre pra um mesmo lado. E agora que passei a olhar pro outro lado, apareceram junto, a coragem e a vontade.

E o que eu faço com essa vontade insaciável?
E se o que eu quero não existe e só passa de uma ilusão?
E se eu estiver com medo de admitir que isso é sim uma possibilidade?
Valeria a pena ainda tentar?

Não vou fingir ser algo que não sou, não vou me virar do avesso e me perder em algo que acredito que seria melhor do que acho que sou. Não vou mesmo!

Eu sou assim, foi meu pai quem me fez assim, e se não me quiser que me faça outra, se achar mesmo que sou ruim.

“...Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir...
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir...
Quero mais, quero a paz que me prometeu...
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu...”

O Teatro Mágico

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