Minha vida toda eu tentei me preencher do que só trazia mais vazio.Abastecia-me daquilo que eu não enxergava que nem existia mais.
Tudo porque eu acreditava que era melhor ficar com alguém do que me ver sozinha.
E por muito tempo eu me vi desvencilhando-me da carapuça de sonhadora.
Deixando pra trás o par de tênis da Cinderela, as meias coloridas da Alice e as tranças cheias de pontas duplas da Rapunzel.
E pra quê?
Pra rasgar minha identidade e adequar-me ao novo padrão de mulher.
Hoje, afirmo que estou pouco me lixando pro passado que não valeu à pena e pro tempo perdido.
Não estou nem aí pras convenções que me mandam ter mais amor-próprio, ser mais eu e ser mais realista.
Aqui é tanto amor que têm pra próprio, que faltou para doar. E quem não doa, não recebe, fato!
Sinto pena dos que não conseguem ver beleza na guerra e não acreditam na vitória. Prefiro lutar pelo que me desafia.
Eu gosto das marcas e cicatrizes que provam que eu vivi.
Trabalho em favor do meu coração que implora calor. Que pediu incessantemente para que eu jamais me conformasse com simples trocas de favores, simpatia, amizade e comodidade.
Eu preciso de paixão para bombear todo o resto. E eu to fazendo o impossível para sentir o frio na barriga.


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