segunda-feira, 20 de abril de 2009

Hora de silenciar...

Disse pra mim que não vou falar mais nada.
Já que sou tão imprópria, tão exposta, tão inadequada. Já que nunca basto, e se tento me excedo.
Já que não sei tudo o que deveria ou exagero em saber o que não devo e nem preciso.
Nunca entendo, nunca chego no ponto, nunca sou aceita pela exigência propositalmente inalcançável.
Meu sorriso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é interesse. Minha saudade é prisão. Minha preocupação é chatice. Minha insegurança é problema meu. Meu amor é de mentira. Minha agressividade é insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações matam os meus sonhos. Minhas críticas causam inveja. Minhas palavras cuidadas machucam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões cansam. Minhas histórias são egocêntricas. Meu "sem fim" dá vontade de encurtar. Minhas construções se auto-destroem. Meus convites são raros. Meus pedidos são impossíveis. Minha tristeza é birra. Meu bombardeio de sentimentos sempre acabam em guerra. Minha paz que viria logo depois, nunca chega. Minha voz doce assusta. Minha voz séria parece piada.
Já disse, nenhum pio mais! Chega!
Falar do que sinto, é me revelar e pôr meus planos em risco.
Então, fico pensando, o que falar de mim se só sei o que eu sinto? O que adianta disfarçar e falar sobre o que não importa?
Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre ele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa. Se falo sobre avida dos outros, parece papo furado e fofoca. Se falo sobre as coisas, me sinto mais uma delas. Se provoco, sou maliciosa. Se falo sobre meus desenhos, nem quis ver. Sobre meu trabalho, não me interessa. Meus sonhos, evito falar para não parecer menina demais.
Quieta, é assim que vou ficar.
Se digo certo , isso logo acaba. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que mais tarde eu tenha estrutura suficiente para aguentar o depois.
Nada, não vou falar sobre nadinha.
Sobre a dor, não toca. Sobre prazer, toca demais.
Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se eu respondo, ofendo mais. E se exclamo, minha vontade se soterra. E se são três pontinhos, perco a vontade. Se começo, preciso terminar. Se termino. chego sozinha.
Se explico, sou louca. Se não explico, sou fria. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes.
Nada!
Não vou sussurrar nem gemer. Silêncio absoluto!
É no silêncio que se esconde a verdade.
E o que eu mais temia, e o que eu menos queria, ele me diz.
E o pior é que eu nem posso falar nada, porque não passam de mentiras, e eu sei.

1 comentários:

Clarissa disse...

Gostei bastante do texto, vou querer explicações sobre ele depois!! hehehehe
Beijão amiga!! te adoro muito!!

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